Exclusivo: MaisVip conversou com brasileira que esteve na Espanha

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No fim de dezembro do ano passado um novo tipo de vírus surgiu na província Wuhan, na China, lar de cerca de 11 milhões de chineses. Na época não sabiam, mas esse novo vírus, chamado de Sars-Cov-2, era uma nova mutação dos vírus da família coronavírus, que provocam graves infecções respiratórias em humanos desde 1937. Para a doença causada especificamente pelo Sars-Cov-2, foi dada o nome de Covid-19.

Ainda não se tem certeza sobre como surgiu esse novo tipo de coronavírus e de onde exatamente ele veio. A hipótese mais aceita na comunidade científica é de que os seres humanos foram contaminados após entrar em contato com o pangolim, animal muito traficado pelos chineses daquela região, que apresenta em seu organismo o vírus com 99% dos genomas iguais ao que está contaminando as pessoas.

Desde que os primeiros casos foram registrados na China, o vírus tem se disseminado rapidamente para todos os cantos do mundo. Estando presente hoje, apenas três meses após o registro dos primeiros casos na China, em cinco continentes e em mais de 150 países. De acordo com dados da Universidade John Hopkins, mais de meio milhão de pessoas foram infectadas por ele e quase 25 mil já morreram.

Dentre países mais afetados pela doença, estão a própria China, primeiro local a registrar casos, com 81.897 casos e 3.296 mortes; Itália, país que mais registra mortes, com 80.539 casos e 8.165 óbitos; Estados Unidos, país que mais apresenta casos confirmados da doença, 85.870, e 1.297 mortes; e a Espanha, país com mais óbitos depois da Itália, com 64.059 casos e 4.858 mortes.

 

 

A Hair Stylist timotense, Charlene Xavier, esteve na Espanha neste mês de março para fazer um curso de aperfeiçoamento e acompanhou de perto a crise provocada pela disseminação do novo coronavírus no país europeu. A equipe de reportagem do Portal MaisVip conversou com a mineira, que já está de volta ao Vale do Aço desde a semana passada, sobre a situação que ela enfrentou na Espanha durante essa pandemia. Confira:

O Isolamento domiciliar e a falta de produtos

A timotense conta que quando chegou na Espanha a situação no país ainda não estava grave. Inicialmente, Charlene pretendia ficar no país para fazer um curso de aperfeiçoamento de uma semana e após isso tirar férias até maio, mas com a pandemia afetando gravemente a Espanha, isso não foi possível.

“Fui sozinha para Europa, meu primeiro destino foi Portugal , quando cheguei em Lisboa por lá estava tudo muito tranquilo. Após 3 dias na Espanha as coisas mudaram drasticamente, impressionante. A população entrou em colapso, eu então fiquei meio perdida. Aquela sensação de não saber ao certo a gravidade da coisa. E o pior, estar longe de casa, pois eu vim pra Europa pra fazer um curso de uma semana e ficaria depois até maio, pois resolvi tirar umas férias de tudo. Mas as coisas tomaram outro rumo, nem o curso consegui fazer”, diz.

Até então, os espanhóis estavam levando a vida normalmente, mas que rapidamente as coisas pioraram ao ponto de ser decretado o isolamento domiciliar quase que total desde o dia 14 de março, sob pena de prisão para os que não respeitassem.

“No período que eu fiquei na Espanha, assim que as coisas começaram a se complicar, era extremamente proibido sair de casa. Os comércios foram obrigados a fechar, aberto somente o necessário. Fora isso, a polícia estava de olho e também o governo aplicaria multa em quem desobedecesse as ordens. Madrid ficou vazia, ninguém nas ruas”, conta.

 

 

Longe de casa e da família, e em isolamento domiciliar, ela conta que o desespero dos espanhóis fez com alimentos e produtos de higiene sumissem rapidamente das prateleiras.

“As pessoas realmente começaram a estocar comida. Em alguns mercados não tinha água, arroz e outros alimentos também começaram a faltar. Eu gravei até um vídeo das prateleiras vazias, uma coisa assustadora … verduras e frutas então, em alguns lugares não se via. Álcool, luva e máscara viraram artigos de luxo, aliás nem isso, porque realmente não tinha”, afirma.

Já em meio a crise, Charlene começou a se sentir mal e procurou um hospital em Madrid. “Após um dia inteiro passeando pelo centro de Madrid uns dias depois comecei a me sentir mal, com muita dor no corpo, desânimo e febre. Eu e minha amiga, que estava me hospedando aqui, fomos ao hospital local e fizemos teste que deu negativo para coronavírus. Fomos medicadas e voltamos para casa, conta.

A dificuldade para voltar para o Brasil

Charlene voltou para o Brasil no último dia 19, um pouco antes da situação no país ficar pior. Ela conta que enfrentou muita dificuldade para deixar a Espanha, mas que como a situação no país estava ficando insustentável, ela fez de tudo para voltar para casa.

“Foi um ato de desespero meu, eu estava com meu psicológico meio abalado lá. As coisas pioravam em questões de horas por lá. Minha insegurança era saber se conseguiria voltar para o Brasil na data que eu havia determinado, pois tenho compromisso de trabalho. Fiquei desnorteada sem saber o que fazer. Disseram que iriam fechar fronteiras aéreas, porque a terrestre já tinha fechado. Eu cheguei em Madrid de ônibus, ou seja, não conseguiria voltar para Portugal de ônibus pois meu voo sairia de Portugal para o Brasil.  Não tinha mais voo de Madrid para Lisboa e eu não conseguia falar na Latam. Tive que pedir orientação para um advogado no Brasil, mas Deus foi tão bom antes que ele olhasse consegui remarcar o voo com muito, muito, muito custo”, afirma.

 

Umas das opções cogitadas por ela para deixar a Espanha foi a compra de uma outra passagem, mas ela revela que além da dificuldade para encontrar voos, os que encontrava custava o dobro e até o mesmo o triplo do valor normal.

“Estava pensando comprar outra passagem. Os valores eram exorbitantes: 12 mil, 15 mil, 7 mil, 5 mil. E tinham sites que nem estavam funcionando mais. Um caos! Na volta pro Brasil, conheci um casal de São Paulo que comprou passagens no valor de R$7 mil cada, ou seja, o dobro ou até o triplo do normal.  Todo mundo querendo sair de lá a qualquer custo. Mas era melhor sair rápido, pois depois seria impossível, ficaria presa lá”, explica.

O conselho de quem viu de perto os horrores da doença

Ainda na Espanha, ela conta que já estava preocupada com a chegada do vírus no Brasil. “Quando ainda estava na Espanha, vendo a situação do Brasil, conversando com amigos, eu pensava: eles não fazem ideia da situação, o quão complicada é. Porque até então no Brasil só se falava sobre o assunto, né? Não tinha casos ainda. E todos ainda estavam levando sua vida normalmente”, afirma.

Atualmente, a Itália é o país que está enfrentando maiores dificuldades para conter o avanço da doença, tendo mais que o dobro de mortes que a China, onde tudo começou, mas estima-se, com a rapidez que o vírus está se alastrando em território espanhol, que a crise na Espanha possa ficar ainda pior que na Itália.

Eu vi um caos de perto e realmente ele existe e é assustador. Quando estive no hospital em Madrid, tinha uma senhora lá, no mesmo lugar que nós, lugar separado para pessoas suspeitas, ela não conseguia respirar e nem falar, uma cena de horror. Muito triste ver isso, viver isso. Por isso, #fiquememcasa!”

Ela chegou no Brasil há oito dias e está passando pela quarentena de 14 dias em casa, para ela, que vivenciou de perto a situação na Espanha , as pessoas devem respeitar o isolamento domiciliar como medida para evitar a disseminação do vírus. “Meu conselho é de fato ficar em casa até segunda ordem. Não encarem isso como uma “gripezinha”, pois não é, para muitos pode custar a própria vida”, afirma.

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