Covid-19: 30 mortos suspeitos são enterrados por dia em SP, diz Folha

 Covid-19: 30 mortos suspeitos são enterrados por dia em SP, diz Folha

 

 

O jornal Folha de São Paulo publicou, na manhã desta quarta-feira (1°), uma matéria falando sobre as mortes suspeitas de Covid-19 no estado. De acordo com a Folha, os cemitérios públicos da capital paulista estão recebendo por dia cerca de 30 a 40 corpos de pessoas que morreram com suspeita do novo coronavírus, mas que não foram testadas ou contabilizadas pelo Ministério da Saúde como óbitos decorrentes da Covid-19.

Segundo a reportagem, a maioria das mortes suspeitas não é registrada pelos dados do governo devido ao atraso do Instituto Adolfo Lutz, responsável pelos testes no estado, em disponibilizar os resultados dos testes de comprovação da doença. Na maioria dos casos, os médicos que assinam os boletins de óbito, permitindo assim o sepultamento, afirmam que aguardam os resultados de exames para comprovação da causa da morte e apenas apontam suspeita de Covid-19.

De acordo com o Ministério da Saúde, até essa terça (31), haviam sido registradas 201 mortes em decorrência do novo coronavírus no país,  sendo que 121 delas foram registradas na cidade de São Paulo e 79 delas ocorreram na Rede de hospitais particulares Sancta Maggiore.

Porém, de acordo com a reportagem da Folha, a maioria dos corpos que estão chegando nos cemitérios públicos estão vindo do sistema público de saúde, que depende exclusivamente do Instituto Adolfo Lutz para o processamento dos testes de Covid-19.

“Sem a confirmação do instituto não podemos colocar a causa da morte como sendo a infecção pelo coronavírus, o caso fica em aberto, não tem jeito”, disse a médica sanitarista e coordenadora do Serviço de Epidemiologia do Instituto Emílio Ribas, Ana Freitas Ribeiro, para o jornal. De acordo com ela, a espera para retorno dos resultados de testes é de até 20 dias em alguns casos.

Ainda de acordo com o jornal, até o início dessa semana, o Instituto Adolfo Lutz tinha uma fila de 14 mil testes aguardando resultado e recebia diariamente 1.200 novas amostras para serem testadas. Sua capacidade de processamento era de 4oo teste, mas foi ampliada para 1.000 testes diários.

Segundo a Folha, nos maiores cemitérios públicos de São Paulo os sepultamentos de pessoas com suspeita de estarem contaminadas com o coronavírus se transformaram em rotina. Em cada um deles, desde a semana de 21 a 27 de março, são realizados de quatro a seis enterros, a cada dia, de pessoas com suspeita da doença. No domingo (29), no cemitério da Vila Formosa, os corpos de mais de dez pessoas com suspeita de terem morrido em decorrência da Covid-19 foram enterrados.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, assim como o Serviço Funerário Municipal da capital, se recusam a informar o número total de pessoas que vieram a óbito e foram enterradas como casos suspeitos de Covid-19. De acordo com os dois órgãos, os números são internos e não serão divulgados enquanto os casos não forem confirmados pelos exames. A cidade enterra em média 250 mortos por dia em seus 22 cemitérios municipais.

 

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