Vacinação de crianças é essencial para conter pandemia, alertam infectologistas

 Vacinação de crianças é essencial para conter pandemia, alertam infectologistas

(Reprodução/ O Tempo)

Além de prevenir casos graves e mortes, vacina contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos também diminui a cadeia de transmissão do vírus

Mais de uma semana após a liberação da Anvisa para o uso de vacinas da Pfizer em crianças, o Brasil ainda não tem data para o início da campanha contra a Covid-19 na faixa etária entre 5 e 11 anos de idade.

Segundo especialistas, a vacinação das crianças é um dos passos essenciais para o enfrentamento da pandemia. Isso porque, além de evitar os casos graves e mortes pela doença, a imunização diminui a circulação do coronavírus.

“Essa faixa etária [das crianças entre 5 e 11 anos] atua propagando o vírus na comunidade, que pode acabar infectando pessoas com maior risco de adoecimento grave”, explica o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estêvão Urbano.

De acordo com ele, os benefícios são de ordem coletiva e individual. “Os estudos clínicos realizados até agora demonstram tanto a eficácia da vacina quanto a sua segurança, quando aplicados em crianças”, afirma.

O infectologista Leandro Curi também ressalta a importância da vacinação das crianças: “Por mais que a criança passe, na maioria dos casos, “ilesa” pela covid, ela é uma fonte transmissora. Ela pode não ter sintomas, mas vai passar o vírus facilmente para outras pessoas, dentro da própria casa ou escola – ela é parte da cadeia”.

Segundo o médico, o imunizante é seguro e está sendo amplamente testado na população mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, o uso da vacina em crianças foi autorizado pela Federal Drug Administration (FDA) e os possíveis efeitos são acompanhados pelo Center for Disease Control (CDC).

Curi lembra, ainda, que, ainda que o número de casos graves de covid-19 em crianças seja menor do que a ocorrência em adultos, elas ainda podem desenvolver complicações da doença ou morrer por causa da Covid-19. “Sim, é verdade, morre-se menos crianças do que adultos, mas morreram muitas crianças, o que justifica a vacinação por si só”, ressalta.

Apesar da autorização de uso nos Estados Unidos, a vacinação de crianças encontra resistência na população. Por isso, o cenário é de aumento no número de casos nesta faixa etária, segundo o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Unaí Tupinambás.

“É a faixa etária em que se tem menos cobertura vacinal e, portanto, é um grupo que está mais vulnerável. Nos Estados Unidos, agora, a grande proporção de casos e internados é nesta faixa etária”, afirma.

Em um documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, vinculada ao Ministério da Saúde, afirma que a aplicação das vacinas em crianças é segura.

“Antes de recomendar a vacinação [contra a] Covid-19 para crianças, os cientistas realizaram testes clínicos com milhares de crianças e nenhuma preocupação séria de segurança foi identificada”, diz um trecho da nota técnica, assinada pela secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo.

O documento foi enviado no contexto de uma ação movida pelo PT no Supremo, que pede a definição de um calendário vacinal para as crianças contra Covid-19, e contraria declarações anteriores do Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Uma consulta pública sobre a vacinação dessa faixa etária foi aberta na última semana, e deve ficar no ar até o começo de janeiro.

O professor Unaí Tupinambás espera que a vacinação comece ainda no mês que vem. “No Brasil, nós temos uma janela de oportunidade, que é vacinar antes de 15 de janeiro, antes das aulas começarem, para termos um retorno mais seguro nas escolas”.

Para o infectologista Leandro Curi, a polêmica nem deveria existir. “A gente tem um calendário vacinal numeroso de vacina para crianças. Todas foram testadas e essa é mais uma. Nós deveríamos celebrar o fato de, pela primeira vez na história, termos desenvolvido uma vacina segura e eficaz em cerca de um ano”, pondera.

Consenso

O posicionamento oficial das Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI) também confirma a segurança das vacinas e a importância da imunização das crianças entre 5 e 11 anos no país. Em um parecer enviado à Anvisa, quando o órgão de vigilância sanitária ainda analisava os dados sobre a vacina da Pfizer, as três entidades defenderam que os benefícios da vacinação superam eventuais riscos.

“A carga da doença na população brasileira de crianças é relevante, incluindo até o momento milhares de hospitalizações e centenas de mortes pela COVID-19 no grupo etário em questão, além de outras já demonstradas consequências da infecção em crianças, como a COVID-19 longa e a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), todas elas de potencial gravidade neste grupo etário”, diz um trecho do documento.

Em outra passagem, os médicos ressaltam os dados de eficácia da vacina obtidos nos testes clínicos: “Após duas doses da vacina Comirnaty em uma apresentação com 10 µg (1/3 da apresentação utilizada em adolescentes e adultos) as crianças de 5-11 anos apresentaram uma resposta de anticorpos neutralizantes em concentrações similares às observadas em adolescentes e adultos de 16-25 anos […]. Além disso, houve demonstração de eficácia de 90.7% para a prevenção da COVID-19 […]. Não foram observados nestes estudos eventos adversos graves associados à vacinação.”

 

 

 

Fonte: O Tempo

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