PL barra candidatura de deputada Rosângela Reis que chamou PM para o partido

 PL barra candidatura de deputada Rosângela Reis que chamou PM para o partido

Imagem: Divulgação / Rosângela Reis

A deputada estadual Rosângela Reis (PL) chamou a Polícia Militar na noite desta terça-feira (19), na sede do seu próprio partido, em Belo Horizonte, após acusar o diretório estadual do PL de fraude e violência política. Ela não teve o nome incluído na lista de liberais que devem tentar assento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A sigla fez sua convenção nesta quarta-feira (20) e decidiu que a parlamentar não poderá buscar renovar o mandato.

A deputada acionou a Polícia Militar (PM) a fim de acusar representantes do PL de burlar a lei que obriga todos os partidos a apresentar chapas que tenham mulheres em pelo menos 30% das vagas. Documentos mostrados pelo gabinete da parlamentar mostram que o PL colocou na chapa candidatas com pouca expressão, que em eleições passadas tiveram poucos votos, apenas para cumprir com a lei eleitoral.

PL barra candidatura de deputada Rosângela Reis que chamou PM para o partido
Imagem: Reprodução / Partido Liberal

“Esse é um ato claro de violência política contra a mulher e, além disso, uma fraude no processo eleitoral. Dificilmente os partidos conseguem preencher a cota de 30%. E, agora, o diretório articulou para preencher vagas femininas com candidatas fictícias. O que o partido está fazendo é um ato de violência contra a mulher. Estou sendo ameaçada por homens que não aceitam mulheres em posição de liderança. Estão querendo calar uma voz feminina”, afirmou a parlamentar em nota.

Os liberais com direito a voto tiveram de escolher entre duas relações de pré-candidatos – uma com Rosângela, outra sem ela. A parlamentar acabou derrotada por 35 a 6.

O debate sobre o futuro político de Rosângela levou tensão ao plenário da ALMG, local que sediou a convenção do PL. Antes do encontro, deputados já haviam sinalizado que não aceitariam a presença dela na chapa estadual porque a deputada se filiou depois do ingresso de políticos que entraram para o partido a reboque do presidente Jair Bolsonaro (PL). Havia o temor de que a candidatura dela à reeleição impedisse o sucesso de parte dos que já estavam na sigla.

Um dos argumentos utilizados para barrar Rosângela foi o fato de ela ter se filiado ao PL junto à direção municipal da agremiação em Ipatinga, no Vale do Aço, onde está o foco de sua atuação legislativa. Paralelamente, outros recém-chegados ingressaram na legenda a partir da cúpula estadual, baseada em BH.

Depois da votação que selou sua derrota, a deputada contestou a tese. “Desde o início buscamos o diálogo. Me filiei junto à Executiva municipal (de Ipatinga), mas não há nada de ilegal nisso. O artigo 4° do estatuto (do PL) defende que as filiações devem ser feitas junto às executivas municipais”.

70 mil votos

Em seu quarto mandato na Assembleia, Rosângela teve pouco mais de 70 mil votos em 2018. Para tentar convencer os correligionários e contornar o revés, ela chegou a afirmar que, mantido o desempenho do último pleito, sua reeleição poderia proporcionar a vitória de ao menos dois outros postulantes a deputado estadual.

“Ainda não há decisão de judicialização dessa questão. Estamos, primeiro, esgotando todas as instâncias para, depois, buscar outros caminhos”, explicou, ao tratar dos rumos que pretende tomar.

A convenção do PL ainda serviu para entregar à direção estadual do partido a decisão de lançar, ou não, o senador Carlos Viana como pré-candidato ao governo. Ele espera ter uma resposta definitiva na próxima semana.

Colegas criticam postura

Rosângela começou o ano filiada ao Podemos. Na janela destinada à troca de partidos, chegou a acertar com o MDB. Depois, fez movimento para ir ao PL. O ingresso dela aos quadros liberais foi confirmada apenas em 1° de abril, quando todos os outros deputados estaduais que rumaram à legenda já haviam concretizado a mudança.

Ao longo da convenção, deputados estaduais liberais pediram a palavra para defender que ela não fosse candidata à Assembleia Legislativa.

“Não podemos permitir que um invasor, sem ética, fique em nossa casa. Qualquer um que atentar contra esse princípio vai receber tratamento estatutário”, disparou Coronel Sandro, em menção indireta ao fato de a filiação dela ter ocorrido em Ipatinga.

Gustavo Santana, deputado e filho do presidente do diretório mineiro do PL, José Santana, também advogou pela ausência de Rosângela na chapa regional. Ele chegou a ser vaiado por apoiadores da deputada, que lotaram as galerias do plenário do Parlamento.

“Não ligo para vaias. Aqui tem trabalho; tem homem sério”, rebateu ele.

No fim de semana, Rosângela fez ato para lançar sua pré-candidatura a deputada estadual. Ao lado dela, estavam os deputados federais Mauro Lopes (PP), Alê Silva (Republicanos) e Hercílio Coelho Diniz (MDB).

Imagem: Ramon Lisboa / EM / D.A Press

Candidatura ao Congresso pode ser alternativa

Segundo apuração do Estado de Minas, lideranças do PL chegaram a oferecê-la a candidatura a deputada federal como forma de contornar o impasse. Rosângela afirmou que não descarta a possibilidade.

A filha dela, Grazielle Reis, é filiada ao PMN. A deputada foi perguntada sobre a possibilidade de lançá-la como substituta na corrida à Assembleia. “Essa parte ainda não definimos. Há outro processo de convenção e outros passos a serem feitos”, esquivou-se.

Antes da reunião, o PL emitiu nota para afirmar que a decisão tomada é “soberana”.

“O PL foi surpreendido com uma conduta de dois assessores da Deputada Rosângela Reis, que invadiram a sede do Partido, pegaram a chave da porta principal e mantiveram um funcionário e uma funcionária em cárcere privado, impedindo-os de saírem para suas respectivas residências, constrangendo-os e proferindo agressões verbais”, pontuaram os representantes da legenda, em comentário referente ao caso que envolveu a polícia.

 

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Fonte: Estado de Minas

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