Vaca magra dourada toma lugar do Touro de Ouro da Bolsa de Valores

 Vaca magra dourada toma lugar do Touro de Ouro da Bolsa de Valores

(Reprodução/ Twitter)

Subprefeitura Sé não havia informado até o momento se a vaca magra tinha autorização para ser colocada no local e objeto foi retirado

Uma escultura de vaca magra dourada foi colocada na manhã desta quinta-feira (9) em frente ao prédio da B3, a Bolsa de Valores brasileira, no mesmo local onde estava a estátua Touro de Ouro, na região central da cidade de São Paulo.

A estátua é semelhante às peças da intervenção urbana Vacas Magras, da artista plástica Márcia Pinheiro, cuja conta no Instagram atribuída a ela publicou nesta manhã uma foto da escultura já instalada diante da Bolsa com a afirmação “hoje”. Pinheiro não tinha respondido aos pedidos de entrevista da reportagem até a publicação deste texto.

Idealizada em 2011, a intervenção é composta por dez esculturas de vacas esqueléticas e tinha como principal objetivo chamar a atenção para os efeitos da seca na região Nordeste entre 2011 e 2018, diz uma publicação da artista em sua página no Facebook.

As exposições ocorreram em locais de grande visibilidade nas ruas de Fortaleza (CE) ao longo de cinco anos, como shoppings e a Assembleia Legislativa.

Em 16 de novembro, a B3 inaugurou em frente ao seu edifício-sede, na rua 15 de Novembro, uma escultura semelhante à obra conhecida como Touro de Wall Street, instalada há mais de três décadas no distrito financeiro de Nova York.

A versão brasileira foi batizada de Touro de Ouro, pois era dourada. A peça original é de bronze. Chama-se “Charging Bull”, que significa touro em investida ou touro que ataca.
O autor da obra comprada pela B3, o arquiteto Rafael Brancatelli, afirma que a sua criação não copia a americana.

O Touro de Ouro, que na verdade era recheado de isopor e recoberto com uma camada de fibra de vidro e colorido com tinta automotiva, permaneceu no local por pouco mais de uma semana. Durante esse período recebeu críticas de ativistas que associavam a imagem à desigualdade em um momento em que o Brasil enfrenta o aprofundamento de uma crise econômica.

A remoção ocorreu após a CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), da Secretaria Municipal de Urbanismo, concluir que a escultura era uma peça publicitária que descumpria as regras da Lei Cidade Limpa.

Estabelecida na gestão de Gilberto Kassab (2006-2012, PSD), a Lei Cidade Limpa regulamentou a publicidade nas ruas da capital paulista.

Outdoors e pinturas em fachadas que faziam propaganda de empresas e produtos passaram a ser proibidos e as placas e anúncios que identificam as atividades desenvolvidas em prédios e lojas passaram a ter normas rígidas quanto ao tamanho.
Ao avaliar a instalação, membros da CPPU afirmaram que o Touro de Ouro fazia publicidade da marca do seu idealizador, o sócio da XP e presidente da empresa de educação financeira Vai Tourinho, Pablo Spyer –também conhecido por apresentar o programa Minuto Touro de Ouro, na Jovem Pan.

Outros integrantes do conselho destacaram, porém, que a obra atraiu público para a região central, beneficiando o comércio, que havia sido muito prejudicado devido às restrições criadas pelo enfrentamento à pandemia de Covid-19.

O debate dividiu a comissão, com cinco representantes votando pela retirada do touro, e quatro integrantes se posicionando a favor da permanência.

A B3 retirou o Touro de Ouro da rua 15 de Novembro em 23 de novembro e a levou para um depósito, sem revelar planos imediatos para nova exposição.

Procurada, a Subprefeitura Sé não havia informado até o momento se a vaca magra tinha autorização para ser colocada no local.

A peça foi retirada do local ainda na manhã desta quinta.

 

Fonte: O Tempo

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