Privatização da Eletrobras pode ter impacto no valor da conta de luz

 Privatização da Eletrobras pode ter impacto no valor da conta de luz

Governo federal afirma que a privatização vai baratear a conta de luz entre 5% e 7% a partir do ano que vem. (Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo)

Pensando apenas em seus próprios interesses, Congresso muda o texto da medida provisória e aumenta o custo da energia elétrica, o que deve prejudicar o bolso do consumidor

Qual vai ser o efeito na conta de luz da privatização da Eletrobrás? Aprovada pelo Congresso, a capitalização da empresa, que vai diluir a participação do governo federal, gerou uma guerra de números sobre o impacto para os consumidores. De um lado, representantes da indústria e entidades de defesa do consumidor afirmam que a luz vai ficar mais cara e que haverá aumento da carne, do leite e do material de construção, entre outros produtos, em decorrência do modelo de privatização adotado. O governo nega esses dados e diz que, em vez de aumentar, a desestatização vai baratear a conta de luz entre 5% e 7% já no ano que vem.

A queda seria garantida com a utilização de R$ 48 bilhões da CDE (Conta do Desenvolvimento Energético), que começam a ser destinados com a privatização para reduzir as tarifas. Os empresários não se convencem. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) diz que o texto, como foi aprovado, cria um custo de R$ 400 bilhões aos consumidores ao longo dos próximos 30 anos. Desse total, R$ 300 bilhões viriam da venda mais cara da energia produzida pelas hidrelétricas mais antigas. Quando elas são mais recentes, o preço costuma ser mais alto para compensar os investimentos feitos. Com o tempo, o investimento vai se pagando e a energia fica mais barata. Só que o texto aprovado pelo Congresso aumenta esses preços antigos, elevando (e muito) o lucro dessas hidrelétricas. Também tem o custo da Eletrobrás ser obrigada a comprar energia produzida por termelétricas nas quais não há oferta de gás. Será preciso construir gasodutos para levar combustível até essas usinas, encarecendo a operação. E, finalmente, a empresa também será obrigada a comprar energia de pequenas hidrelétricas, além de renovar subsídios das usinas que produzem energia eólica, com a força dos ventos.

O governo também rejeita que essas exigências vão gerar aumento na conta de luz, mas fica difícil imaginar que, se o custo aumenta, o preço vai cair. É o preço a pagar pelo modelo escolhido pelo Congresso para a passagem do controle da Eletrobrás para a iniciativa privada. O texto original da medida provisória, elaborado pelo governo, era mais enxuto e beneficiava muito mais a empresa e os consumidores. Os deputados e senadores, mais uma vez, olharam mais para seus interesses eleitorais, beneficiados pelas mudanças no texto, do que para os consumidores e a sociedade.

 

Fonte: Jovem Pan

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