Postos de combustíveis de Minas já enfrentam problemas de desabastecimento

 Postos de combustíveis de Minas já enfrentam problemas de desabastecimento

(Gabriel Rodrigues/O TEMPO)

Ainda assim, o sindicato recomenda que a população não faça uma corrida aos postos

Postos de combustíveis de Minas Gerais com estoque reduzido já enfrentam problemas de desabastecimento em função da greve dos tanqueiros, iniciada no Estado e em outras regiões do país na madrugada da quinta-feira (21). A informação é do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais, o Minaspetro.

A greve dos tanqueiros já impacta no abastecimento de veículos que circulam por Belo Horizonte no início da manhã desta sexta-feira (22).

De acordo com o Minaspetro, todas as regiões do Estado já estão sendo prejudicadas, uma vez que a base em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, “é estratégica para a distribuição de combustíveis estadual.” Não há detalhes sobre percentual de desabastecimento de postos.

Ainda assim, o Minaspetro recomenda à população que não faça uma corrida aos postos, uma vez que a ação é a principal geradora do desabastecimento.

Na nota enviada à imprensa, o sindicato informou que entrou em contato com o governo Estadual e que “solicitou que o pleito dos caminhoneiros fosse atendido”. Disse ainda que segue monitorando a greve e que “é solidário ao pleito dos caminhoneiros.”

Finaliza, reiterando, que “a greve não é a melhor solução para o problema, uma vez que a paralisação prejudica a população e gera ainda mais incertezas no mercado de combustíveis já em crise nacional”.

A reportagem entrou em contato com o Sinditanque sobre o andamento da greve nesta sexta (22), mas ainda não obteve retorno.

Impactos da greve nos postos

No posto de combustíveis da avenida Tereza Cristina, na altura do bairro Carlos Prates, na região Noroeste de Belo Horizonte, já falta gasolina. No local, era possível abastecer apenas com etanol.

O motorista Adilson Moreira, de 56 anos, concorda com a paralisação dos tranqueiros e acredita que essa é a forma correta de pressionar as autoridades. “Caminhoneiro tem que parar mesmo. Isso é uma indecência. Aumenta o preço e a gente não observa melhora em nada”, afirma.

Ao ser questionado se tem receio de ficar uns dias em casa por causa da possível falta de combustível, Adilson diz não ter medo. “Estou colocando álcool e vendo até onde consigo trabalhar. Eu trabalho de carteira assinada. Por isso, não tenho medo porque se faltar gasolina a empresa que tem que resolver”, avalia.

O frentista Reginaldo Martins, de 35 anos, concorda com a paralisação. “No geral, afeta porque, se não tiver combustível, a gente não chega no trabalhos. Mas a paralisação dele é preciso porque o preço do combustível e a inflação estão muito altos. Se a greve for com o intuito de ajudar o trabalhador, eu sou a favor”, afirma.

Já no posto de combustíveis da avenida do Contorno, no bairro Carlos Prates, por volta de 9h, a reserva contava apenas com 18 mil litros de etanol.

De acordo com informações repassadas pela a administração do posto, o local conta com um tanque de etanol, de 30 mil litros, além de dois tanques de gasolina, com capacidade pra 30 mil litros, cada, e um tanque de diesel, de 15 litros, que estavam vazios.

Apesar de ficar um bom tempo parado na fila do posto para conseguir abastecer o carro, o gerente comercial Tarcísio Fonseca, de 33 anos, também concorda com o movimento grevista.

“Eu vou ter que trabalhar com essa situação. Não deveria ser assim, mas essa é uma paralisia necessária para abaixar os impostos. Tem que reivindicar mesmo porque só assim temos mudanças”, acredita.

 

Situação crítica

A situação foi ainda pior no posto de combustíveis localizado na esquina da avenida Vereador Cícero Idelfonso com rua Tabatinga, no bairro João Pinheiro, onde a gasolina e o etanol acabaram no fim da noite dessa quinta.

Esperançosos, o gerente e os quatro frentistas do posto compareceram na manhã desta sexta para trabalhar, porém a greve dos tanqueiros não tinha se encerrado e eles permaneceram nos postos de trabalho à espera do fim da paralisação e do reabastecimento.

“Viemos trabalhar, mas estamos parados. Não temos previsão para reabastecimento hoje (sexta). Tivemos um impacto muito grande porque na sexta-feira todo mundo quer abastecer. Mas acredito que o reabastecimento aconteça ainda no fim de semana”,
Acredita o gerente do posto Murilo Oliveira, 57 anos.

O posto conta com cinco tanques, sendo 20 mil litros de gasolina comem, 10 mil litros de gasolina aditivada e 30 mil litros de etanol.

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