Seis prefeitos renunciaram seus cargos em Minas Gerais desde março

 Seis prefeitos renunciaram seus cargos em Minas Gerais desde março

Seis prefeitos em Minas Gerais renunciaram seus cargos desde o início de março. Quatro deles abandonaram seus cargos alegando motivos pessoais e de saúde. Outros dois saíram de suas funções por razões políticas. O cenário político inusitado coincide com a entrada do Covid-19 no estado. 

A renúncia mais recente aconteceu na última segunda-feira (13), por parte da prefeita de Coimbra, região da Zona da Mata, Maria Raimunda dos Santos Martins (PHS). A versão oficial de Diquinha, como é conhecida, é de que sua saída se deve ao desgaste físico e mental, além de motivos de saúde. 

“Alguns episódios têm afetado de maneira drástica a minha pessoa, causando desgaste físico e mental, resultando em complicações de minha saúde, algo que vem se tomando cada vez mais intenso”, escreveu. 

Maria Raimunda

O prefeito de Varginha, no sul de Minas, renunciou no começo do mês de abril. Antônio Silva (PTB) não resistiu às pressões causadas pela crise do coronavírus e apresentou justificativa à Câmara Municipal, um dia após revogar o decreto que permitia a reabertura do comércio no município.

Entretanto, no documento, ele alegou motivos pessoais. “Nas atuais circunstâncias e por razões de foro íntimo, reconheço não ter condições de continuar administrando a prefeitura”, escreveu. Silva cumpria seu último mandato como prefeito da cidade, inviabilizado pelas leis eleitorais de tentar a reeleição em 2020.

Antônio Silva

Antes de Silva, no dia 3, foi o prefeito de Monte Carmelo, Saulo Faleiros Cardoso (PSDB), que também deixou o cargo. Em ofício enviado à Justiça, o chefe do Executivo pediu afastamento definitivo ao alegar estado grave de saúde.

Saulo Faleiros foi diagnosticado com um tumor no cérebro e atualmente está fazendo tratamento em São Paulo. “Eu descobri no dia 2 de dezembro um tumor no cérebro, comecei as sessões de radioterapia em 2 de janeiro e, agora, sigo com a quimioterapia. Então, não havia como conciliar o tratamento com a administração municipal”, explicou.

Saulo Faleiro

No mês de março, o prefeito de Bom Despacho, Fernando Cabral (Cidadania), anunciou também que deixaria a prefeitura o para tratamento de saúde. No entanto, a renúncia oficial se arrastou até o dia 4 de abril.

Cabral foi diagnosticado com espondilite anquilosante; uma doença inflamatória crônica que afeta as articulações e, que, é incurável. O anúncio havia sido feito antes mesmo do início da pandemia. 

Fernando Cabral

Motivos políticos

Em março, outros dois prefeitos mineiros já haviam renunciado aos cargos: no município de José Raydan, localizado no Vale do Rio Doce, e em Matias Barbosa, na Zona da Mata.

No final do mês, o prefeito de José Raydan, Elias Godinho (PSDB), deixou o comando da prefeitura para tornar possível sua candidatura na vizinha Santa Maria do Suaçuí. “O motivo é que eu vou me candidatar a prefeito em outra cidade”, explicou Godinho.

Já início de março, o prefeito de Matias Barbosa, na Zona da Mata mineira, Carlos Lopes (PP), deixou o cargo justificando causas de foro íntimo.

Porém, em entrevista ao jornal O Tempo, ele admitiu que renunciou para lançar o filho, o ex-vereador Carlos Roberto Mendes Lopes (PP), como candidato prefeito da cidade no próximo pleito. “Eu precisei me desincompatibilizar seis meses antes para meu filho ser o candidato em outubro”, disse. 

A regra para esse tipo de modalidade eleitoral, é que está impedido a eleição de “cônjuge/companheiro e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do prefeito ou de quem o substituir nos seis meses anteriores à eleição”, “salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”.

De acordo com o levantamento da Associação Mineira de Municípios (AMM), o número de renúncias em 2020 é bastante atípico, mesmo sendo ano eleitoral. Em 2019, apenas dois prefeitos renunciaram aos cargos. 

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