Áudios antigos do STM provam tortura na ditadura

 Áudios antigos do STM provam tortura na ditadura

Imagem: Reprodução / Globo News

Após ser alvo de deboche do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, por ter sido presa e torturada pelo governo militar durante a ditadura, a jornalista Miriam Leitão trouxe em sua coluna no Jornal O Globo, deste domingo (17), áudios do Superior Tribunal Militar que provam a tortura no período.

“apesar do clima de intimidação daquela época, clima de intimidação inclusive dentro das auditorias militares, milhares de pessoas denunciaram tortura aos próprios tribunais militares e isso foi registrado nos autos”. “Tudo isso é importante ser contado porque é para ficar registrado pra história e para que não aconteça mais”, citou Miriam.

A reportagem traz 10 mil horas de gravações feitas durante os 10 anos em que as sessões do STM foram gravadas, inclusive as secretas. As sessões ocorreram entre 1975 e 1985.

O historiador Carlos Fico teve acesso a elas e Miriam Leitão publicou os documentos em áudio. Os trechos inéditos mostram os ministros do tribunal falando sobre torturas.

Nesta segunda-feira, o vice-presidente da república Hamilton Mourão foi questionado sobre os áudios da reportagem feita por Miriam em sua coluna na O Globo. Na entrada do Palácio do Planalto, os jornalistas perguntaram a Mourão se ele achava que a revelação dos áudios pode motivar uma investigação.

“Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”, afirmou Mourão, que é general da reserva do Exército.

O vice-presidente disse ainda que, para ele, o tema faz parte do passado.

“História, isso já passou, né? A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura do Getúlio. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente. Passado, faz parte da história do país”, tentou amenizar Mourão.

Aborto após tortura

Um das partes transcritas é do dia 24 de junho de 1977. Na ocasião, o general Rodrigo Octávio Jordão Ramos diz: “Fato mais grave suscita exame, quando alguns réus trazem aos autos acusações referentes a tortura e sevícias das mais requintadas, inclusive provocando que uma das acusadas, Nádia Lúcia do Nascimento, abortasse após sofrer castigos físicos no Codi-DOI.”

Ele conta que o aborto foi provocado por “choques elétricos no aparelho genital”. Em seguida lê o que disse Nádia. “Deseja ainda esclarecer que estava grávida de três meses, ao ser presa, tinha receio de perder o filho, o que veio a acontecer no dia 7 de abril de 1974”.

Além desse relato, a jornalista trouxe à tona o que chamou de “as vozes desse tempo sombrio”, que foram resgatadas pelo historiador Carlos Fico, titular de História do Brasil da UFRJ.

 

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Fonte: O Globo / Metrópoles

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