Em entrevista ao Uol, Lula apoia Bolsonaro contra decisão do STF e Moro

 Em entrevista ao Uol, Lula apoia Bolsonaro contra decisão do STF e Moro

Em entrevista ao Uol, Lula apoia Bolsonaro contra decisão do STF e Moro

 

O ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, afirmou em entrevista ao UOL, nesta quinta-feira (30), que discorda da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Durante a mesma entrevista, Lula também apoiou Bolsonaro contra o ex-ministro, Sérgio Moro.

De acordo com Lula, as indicações cabem ao presidente da República e a atitude do ministro do STF só se justificaria caso ficasse provado que Ramagem cometeu algum ilícito que o impedisse de ocupar o cargo.

“Não pode um único juiz da Suprema Corte tomar atitude de evitar. Não podemos permitir que as instituições ajam politicamente. […] Que a pessoa prove que o delegado tem um ilícito, aí sim ele está correto [em barrá-lo]. Eu não sei qual o crime que o delegado [Ramagem] cometeu. Se ele cometeu algum desvio, obviamente que não poderia mesmo assumir. Mas é preciso que a gente seja preciso, porque um dia você pode ser presidente e você pode querer indicar uma pessoa que você conheça para um cargo e alguém vai dizer que não pode indicar”, afirmou Lula.

Leia Mais: “Decisão política”, diz presidente sobre STF suspender nomeação de Ramagem para a PF

Lula e Bolsonaro x Moro

O cargo de diretor-geral da PF ficou vago após Bolsonaro exonerar Maurício Valeixo, homem de confiança do então ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. Após exoneração de Valeixo, Moro convocou uma coletiva de imprensa, onde anunciou sua saída do governo.

Durante a coletiva, Moro fez duras acusações ao presidente Jair Bolsonaro. Dentre as principais afirmações do ex-juiz, está a de que o presidente queria a troca de comando na PF para interferir nas investigações envolvendo os filhos de Bolsonaro e aliados do presidente.

Leia mais: Veja repercussão da saída de Moro do Ministério da Justiça entre os políticos

No impasse entre Moro e Bolsonaro, Lula centrou as críticas ao ex-ministro e afirmou que “a troca do delegado não pode ser nenhum absurdo”.

O presidente da República tem mais autoridade para indicar o delegado do que o ministro, afinal de contas foi o presidente da República que foi eleito. O que é importante é tratar a instituição de forma republicana, ou seja, não é um instrumento do presidente da República.O Moro achava que estando no ministério ele poderia ser mais importante que o presidente e não é. E foi por isso, na minha opinião, que ele caiu. […] O ministro não pode achar que é mais importante que o presidente da República”, afirmou Lula.

De acordo com o ex-presidente, a saída de Moro, tido como um “superministro” não é o principal problema de Bolsonaro.

“Nunca vi a República falir por causa da troca de ministro. Presidente troca de ministro quando quiser […] Esse não é o problema maior. O problema maior do Bolsonaro é a falta de capacidade de governança que ele está demonstrando”, disse Lula.

Segundo Lula, o presidente não tem condições de governar e deve ser retirado do cargo. “Ou a gente encontra um jeito de pegar os crimes de responsabilidade que Bolsonaro já cometeu e tira-se ele ou ele vai acabar com esse país. Ele não tem condições de governar”, completou.

Inquérito

Na sexta-feira (24), o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF), para abrir um inquérito para investigar as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça. Com o pedido da PGR, a Corte sorteou o ministro Celso de Mello como relator.

Celso de Mello autorizou nessa segunda-feira (27) a abertura de inquérito para apurar declarações do ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro.

Com a investigação, Bolsonaro poderá responder por:

  • falsidade ideológica;
  • coação no curso do processo – uso de violência ou ameaça contra uma pessoa em processo judicial ou administrativo, por interesse próprio;
  • advocacia administrativa – promoção de interesse privado na administração pública;
  • prevaricação – quando o agente público retarda ou não pratica ato previsto em lei para satisfazer interesse pessoal;
  • obstrução de justiça;
  • corrupção passiva privilegiada;
  • denunciação caluniosa e crimes contra a honra – calúnia, injúria e difamação.

 

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