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Coluna do Danilo Emerich

@dicaspoliticas

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Coluna do Danilo Emerich

No meu tempo era diferente…

 No meu tempo era diferente…

Eu me lembro bem. Era 1994 e eu era ainda uma criança de oito anos. Eu estava voltando da escola e vi alguns homens pintando um muro todo de branco. O dono da casa, um vizinho meu, estava todo satisfeito que aquele bloco cinza ganharia uma reforma e vida. Não dei muita atenção e segui. No dia seguinte, o muro branco também estava com letras e números vermelhos de um candidato político, logo ao lado de um outdoor de um concorrente. Era a eleição.

O tempo passou e as regras eleitorais não permitem mais essa prática de pintar muros ou colocar outdoors, para o desespero daqueles que aprenderam a fazer política em um tempo de vale tudo. Naquele tempo, a televisão ditava os rumos de uma eleição. Era a única forma de um país inteiro saber quem eram os candidatos, os feitos e as propostas. Uma única mensagem para um país inteiro.

A televisão ainda é permitida e com a mesma lógica: uma mesma mensagem para todos. Mas um novo elemento surgiu: a internet, que mudou totalmente as regras do jogo e a forma de fazer uma comunicação de mandato ou de uma eleição. A mensagem única do outdoor e da televisão deu espaço para a segmentação da mensagem pelas redes sociais.

Hoje, os políticos mais velhos lutam para se adaptar aos novos tempos, às novas formas de comunicar. Alguns se adaptaram bem. Já outros, nem tanto. E como é essa adaptação mal feita por muitos deles? Colocando um ou dois profissionais de comunicação e achando que será o suficiente para operacionalizar tudo.

Ora? Muito se engana que é só apertar o botão publicar. Temos uma infinidade de tarefas e profissionais envolvidos hoje só para trabalhar, de forma bem-feita, uma comunicação política assertiva pela internet.

Temos as redes sociais (Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, Twitter, além de muitas outras) todas exigindo diferentes mensagens em diferentes formatos. Há também buscadores, como o Google, plataformas, como o Youtube. Isso sem contar o Whatsapp/Telegram, sites, e-mail marketing, aplicativos, landing pages, automações, Wikipedia e estratégias de impulsionamento, SEO, remarketing e muito mais.

E se o político ultrapassado não participar da sua própria comunicação, não há marqueteiro milagroso que resolva. Os resultados não vão sair.

As pessoas estão nas redes sociais por dois motivos, se entreter e relacionar. Se o político não conversa com o eleitor, ele não cria relacionamento. Além disso, os eleitores querem ver o dia a dia desse mesmo político, o que ele faz, o que ele pensa, querem ver ele lutando pelos interesses da região ou categoria. Não dá mais para políticos ficarem em cima do muro, não se posicionarem e não colocarem a cara para bater.

Diante disso, não adianta o político disparar em massa uma mensagem e querer enfiar debaixo da mesa, achando que as pessoas não vão querer responder de volta, argumentar, contrapor, conversar.

E também não adianta colocar o “sobrinho que sabe de informática”. Comunicação política é algo sério e trabalhoso. Um único profissional, por mais capacitado que seja, não tem braço suficiente para entregar tudo o que é necessário, afinal, a comunicação é muito mais que um jornalista ou um publicitário. Há uma gama enorme de profissionais e perfis diferentes que são necessários hoje.

No meu tempo era diferente. Era mais simples. Que bom que o tempo passou! Pior para quem quer ser eleito, melhor para quem elege. Estamos hoje com mais possibilidades de fiscalizar e escolher melhor os nossos representantes, que precisam trabalhar agora o tempo todo para garantir mais quatro anos de mandato.

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