BH: retorno das atividades não é consenso entre os empresários

 BH: retorno das atividades não é consenso entre os empresários

Foto: Ramon Bittencourt

A Federação do Comércio (Fecomércio- MG) aplaudiu a decisão da prefeitura da capital de autorizar a reabertura na cidade a partir desta quinta-feira (22).

“Caso a decisão caminhasse no sentido oposto, a situação do comércio de bens, serviços e turismo na cidade se agravaria, penalizando o empresário, que não conseguiria mais arcar com suas obrigações financeiras”, informou em nota. Segundo a entidade, entre março de 2020 e fevereiro de 2021, 24.545 negócios foram encerrados na capital.

Já a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH) criticou o que avaliou como demora na decisão. Para o presidente Marcelo de Souza e Silva, a medida já poderia valer já nos próximos dias, visto que as cidades da região metropolitana já flexibilizaram as normas no último fim de semana. “Lamentamos que após 13 meses de pandemia ainda não haja uma ação sintonizada entre os municípios”, afirmou.

Feriado. O início da flexibilização das atividades não essenciais foi marcado para esta quinta-feira. Até o feriado de Tiradentes, na quarta, os protocolos seguem como estão, só com serviços essenciais.

Para bares, regras não atendem o setor
A liberação para funcionamento de bares e restaurantes não foi vista com bons olhos para os empresários do setor. Segundo o presidente da Associação Mineira de Bares e restaurantes (Abrasel), Matheus Daniel, a retomada não vai suprir os prejuízos, e 90% dos empresários do setor não conseguirão pagar os salários deste mês.

“É importante a retomada, mas não atende a maioria. Setor de bares e restaurante o maior fluxo é à noite. Esperamos que não fechem leitos mais uma vez, porque isso vai fazer as ocupações subirem novamente e nunca vamos poder retomar”, ressaltou.

Segundo Daniel, desde o início da pandemia, ao menos 30 mil pessoas foram demitidas. “As pessoas não conseguem nem mais demitir, não tem caixa para salário nem para fechar as empresas”, frisou.

Normas. Os estabelecimentos estão autorizados a reabrir para consumo no local, mas apenas das 11h às 16h. Bebida alcoólica poderá ser vendida nesse período.

Já a retirada nos estabelecimentos (take away), entregas em domicílio e serviços drive-thru para aqueles estabelecimentos que possuem estacionamento internalizado – podem acontecer todos os dias da semana, sem restrição de horário.

Food truck
Segundo a prefeitura, ambulantes e carros de lanches também podem funcionar desde que sigam as mesmas regras de serviços de alimentação, com funcionamento das 11h às 16h, com permissão de consumo de bebida alcoólica. O presidente da Associação Mineira de Foodtrucks, Felipe Borba, lamenta o horário limitado.

“O pessoal não procura muito os foodtrucks para almoçar, só das 17h em diante. Estávamos com 160 associados, mas agora são cerca de 50, porque muitos fecharam e estão colocando o carro à venda”, explica.

Academias
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Natação, Ginástica, Recreação e Cultura Física de Minas Gerais (Senagic-MG), Gustavo Fleming, diz que a maior parte das academias deve abrir as portas já na quinta-feira — esta será, afinal, a terceira vez em que reabrirão durante a pandemia, portanto estão habituadas aos protocolos de retomada, segundo ele.
A necessidade de agendamento de horário para controle de usuários continuará obrigatória, mas Fleming afirma que a maior parte das academias na área central da cidade vinha tendo uma ocupação de até 50% de público, enquanto em bairros mais afastados ela girava ao redor de 70%. “Agora, deve acontecer como nas outras aberturas, com 45% das pessoas voltando, em princípio, e o número subindo com o tempo, ainda mais com a vacina”, diz.
Fleming admite que houve relatos de academias funcionando clandestinamente durante o último mês, mas que essas histórias diminuíram, em relação aos fechamentos anteriores de BH. “A fiscalização aumentou bastante no último fechamento”, pontua.
Feira Hippie, clubes, parques, teatros e museus seguem fechados
Já cinemas, teatros, museus, clubes sociais e a Feira Hippie não poderão retomar as atividades presenciais. Outros estabelecimentos, como casas de show e de baladas, continuam fechados sem terem aberto durante toda a pandemia.
O artesão Luís Cláudio de Almeida, membro da comissão paritária dos expositores da Feira Hippie, também reclama que locais em ambiente fechado tenham recebido autorização para funcionar antes da feira. “Acho um absurdo abrir shopping populares, que são em ambientes fechados, os ônibus circularem lotados, como podemos ver, e feiras ao céu aberto e com distanciamento não abrirem. Temos visto expositores passarem necessidade sem poder trabalhar”, comenta, ressaltando que a opinião é pessoal, e não da comissão paritária.
O presidente do Sindicato das Empresas Exibidoras de Minas Gerais (Seecine MG), Lucio Otoni, afirma não ter recebido com surpresa a notícia de que as salas de cinema continuarão fechadas, e que o momento da pandemia no Brasil ainda inviabiliza que as grandes estreias cinematográficas ocorram no país.
“A gente imaginava que a reabertura pudesse demorar ainda algumas semanas e estamos aguardando com serenidade. Os filmes estão voltando nos EUA e na Ásia e sabemos que, com um pouco mais de paciência, isso vai ocorrer aqui”, completa. Durante a pandemia, pelo menos um cinema fechou as portas definitivamente em Belo Horizonte: o Pampulha Mall, na região da Pampulha, encerrou as atividades após 12 anos de funcionamento. Por outro lado, o cinema Belas Artes, no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de BH, denunciou o risco de encerramento, mas conseguiu se manter em funcionamento com ajuda de um financiamento coletivo e de uma parceria com o Centro Universitário Una.
Também proibidos de funcionar, o presidente da Federação dos Clubes do Estado de Minas Gerais (Fecemg), Marcolino Júnior, que representa 20 estabelecimentos na capital, diz que se reunirá com os clubes nesta terça-feira (20) para discutir a proibição do funcionamento, e que não descarta, inclusive, que possam adotar medidas judiciais contra a decisão municipal.

“Atividades em ambiente fechado, como bares, igrejas e academias, foram liberadas, mas os clubes, que são espaços abertos, foram esquecidos. Não tenho nada contra a abertura desses outros locais, mas não só eu, como todos os clubes, esperávamos que eles fossem reabertos”, diz.

Fonte: O Tempo

 

 

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