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Médico que atestou óbito de Lorenza nega relações pessoais com a família Pinho

 Médico que atestou óbito de Lorenza nega relações pessoais com a família Pinho

Foto: Flávio Tavares/ O TEMPO

Cinco dias depois da morte de Lorenza Maria Silva Pinho, 41, o médico Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso, que assinou o atestado de óbito na residência da família Pinho, no bairro Buritis, à região Oeste de Belo Horizonte, manifestou-se pela primeira vez e em nota à reportagem na manhã de quarta-feira (7), assinada por sua assessoria jurídica, negou ter mantido qualquer relação pessoal com a mulher ou com o promotor André Luis Garcia de Pinho – detido desde domingo (4) e apontado como suspeito de matá-la.

“Pode-se apenas, no momento, afirmar categoricamente que o seu cliente (o cardiologista Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso) não possui, nem nunca possuiu, qualquer relação pessoal com a paciente, muito menos com o investigado”, escreveram as advogadas Tatiana Caldas e Pâmela Petzold. Negação contraria comentários pessoais nas redes sociais do médico feitos por Lorenza e que evidenciam a proximidade entre eles.

Até quarta-feira, o médico do Hospital Mater Dei não havia se pronunciado sobre quaisquer questões relacionadas à investigação da morte de Lorenza. Ele foi o responsável por assinar o atestado de óbito da mulher do promotor André de Pinho e, segundo o ex-advogado do funcionário do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o cardiologista teria estado na residência da família no dia da morte e tentado reanimá-la por 40 minutos.

No domingo, logo depois da prisão de André, a reportagem procurou o médico em seu apartamento no bairro Castelo, na região da Pampulha. À ocasião, a advogada dele – que não assina a nota em questão – disse que o cliente não falaria com a imprensa e se posicionaria apenas mediante juízo ou na presença de autoridade policial.

Na terça-feira (6), a reportagem voltou ao prédio. O médico chegou a atender ao interfone, mas disse que não iria se posicionar sobre o caso. O espaço para ele continua aberto assim que optar por se pronunciar.

Ausência de esclarecimentos

O escritório Oliveira Caldas Advocacia, cujo brasão estampa a nota que chegou à reportagem nesta quarta-feira, reforçou por meio do documento que esclarecimentos só serão feitos por parte do médico nos autos do inquérito presidido pela Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais. De acordo com as advogadas, a assessoria jurídica de Itamar Tadeu ainda não teve acesso aos autos do inquérito, que está sob segredo de justiça.

Parecer é encerrado com condolências à família de Lorenza: “tanto esta assessoria jurídica, quanto o dr. Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso, lamentam profundamente a morte da sra. Lorenza Maria Silva de Pinho e se solidarizam com sua família nesse delicado momento”. Em relação à função desempenhada pelo médico no Hospital Mater Dei, advogadas disseram que ele atende urgências e emergências na unidade e atua na linha de frente dos cuidados com pacientes infectados pelo coronavírus.

Proximidade entre cardiologista e família

Comentários coletados pela reportagem nas redes sociais do médico atestam a proximidade entre Itamar e Lorenza. Fotos publicadas pelo cardiologista com os filhos recebiam corriqueiramente mensagens de afeto escritas pela mulher do promotor André de Pinho, como “família linda” e “feliz ano novo”.

O prontuário médico referente ao atendimento de Lorenza no dia de sua morte foi apreendido pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), bem como o celular particular de Itamar Tadeu. Ambos foram recolhidos durante cumprimento de mandado de prisão por três investigadores, um delegado e um promotor no apartamento do médico na segunda-feira (5). Segundo apurou O TEMPO à ocasião, o cardiologista entregou o aparelho telefônico e o prontuário foi retirado de sua bolsa de trabalho.

De acordo com o ex-advogado de André Luis Garcia de Pinho, Sérgio Leonardo, uma ambulância do Hospital Mater Dei foi acionada para socorrer Lorenza à hora de sua morte e o médico teria tentado reanimá-la por 40 minutos. Atestado o óbito, o corpo dela não foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) porque não havia, segundo teria dito Itamar, causas violentas relacionadas ao óbito. Por outro lado, fontes ouvidas pela reportagem indicam que havia sinais de violência no corpo de Lorenza.

Fonte: O Tempo

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