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Mãe leoa, depressão e ‘super pai’: amigas falam sobre a família de promotor

 Mãe leoa, depressão e ‘super pai’: amigas falam sobre a família de promotor

Foto: Reprodução Facebook

A paixão do promotor André Luis Garcia de Pinho, 51, pela esposa e a adoração pelos cinco filhos do casal são tópicos similares em depoimentos de três amigas de Lorenza Maria Silva Pinho, 41. À noite de segunda-feira (5), elas narraram à reportagem detalhes sobre o cotidiano da família, interrompido à madrugada de sexta-feira (2) com a morte da mulher.

Funcionário do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Pinho foi detido à tarde de domingo (4) depois que primeiros passos da investigação conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) o indicaram como suspeito de tê-la assassinado. Ele e um médico do Hospital Mater Dei, à região Centro-Sul de Belo Horizonte, alegam engasgamento como razão do óbito. Por outro lado, perícia feita no Instituto Médico Legal (IML) atestou a existência de sinais de violência no corpo da mulher.

Amor e devoção são alguns entre os adjetivos reiterados às falas de amigas sobre os cuidados de Lorenza com seus cinco filhos, frutos do relacionamento com André com quem permaneceu por cerca de duas décadas. O diagnóstico de depressão não impediu que a mulher do promotor de Justiça se dedicasse à rotina doméstica e, apelidada “mãe leoa”, ela era responsável pelo zelo diário com o marido e com a prole – sendo mãe de um menino de apenas dois anos, uma criança de sete e outra de dez, e adolescentes de 15 e 17.

“Filhos por quem Lorenza se transformava em uma leoa”, “os filhos sentiam por ela um amor como nunca vi igual” e “quando ela engravidou do último, brinquei: ‘nossa, resolveu ter mais um?’, e ela me respondeu: ‘você sabe como eu amo meus filhos, minha vontade era ter vários'” são descrições feitas pelo trio de amigas sobre a relação da mineira com as crianças, também igualmente apaixonadas pela mãe que pereceu sob seus olhos à ocasião de um câncer que obrigou a internação dela em 2017.

“Eles não deixaram de cuidá-la no período, iam encontrá-la sempre. Havia um carinho enorme, tanto dela com os filhos, quanto dele (André) com os meninos. Lorenza sempre me disse que era apaixonada pelo esposo e pelos filhos”, relembra uma colega que optou por permanecer sob anonimato. O padecimento psiquiátrico da mulher também foi assistido de perto pela prole e pelo marido, que, segundo uma amiga íntima que a chama de “irmã”, mantiveram-se por perto e partilharam do sofrimento dela.

“As crianças passaram por coisas muito difíceis vendo a mãe em uma depressão profunda, sentindo uma falta imensa dela, sem vontade de sair da cama”, detalha – segundo ela, primeiros indícios de depressão surgiram depois da morte da mãe de Lorenza, em 2011, e foram acentuados por abortos espontâneos por ela sofridos. “Depois da morte da mãe dela, ela nunca mais foi a mesma emocionalmente. Foi entrando num processo muito difícil. Ela perdeu bebês, então foi muito pesado pra Lorenza e pras crianças”.

“Sempre vi André querendo agradá-la”, diz amiga de Lorenza

A ternura de André Luis Garcia de Pinho, 51, no trato com Lorenza é outro ponto comum às histórias relatadas pelas três amigas dela. “Quem realmente frequentava a casa deles sabia que ele fazia de tudo para agradar a Lorenza e cuidava muito dela. Todo casal tem suas fases difíceis, mas nunca vimos o André fazer nada suspeito ou mesmo Lorenza demonstrar qualquer indício de violência. Os filhos nunca presenciaram nada, sequer um indício de violência dele contra ela”, expôs uma entre as amigas que também optou por não identificar-se.

A relação do promotor com os filhos mantém, de acordo com ela, a mesma tônica. “Ele é, sim, um super pai. Os meninos todos são apaixonados por ele e estão devastados”. Ela alega que a situação tornou-se mais dolorosa para a família com a prisão do promotor e o risco de separação entre pai e filhos – os últimos, agora, cuidados pelo avô materno. “Perderam a mãe e se vêem ameaçados de perder o contato com o pai, por quem são profundamente apaixonados. E com razão, por ser um super pai. Além do fato de ter que ouvir um avô, com quem tinham pouquíssimo contato, detonar esse pai a quem tanto amam”, disse.

A declaração anterior sobre o casamento alia-se à da segunda colega de Lorenza que apresentou-se à reportagem e a conhecia há seis anos. “Eu nunca vi o André agir com ela de forma inadequada. Para mim, sempre foram um casal perfeito, digamos assim. Ele sempre cuidou dela por todo o período em que ela esteve internada. Eu nunca vi eles discutirem, nunca vi brigarem… Pelo contrário, sempre vi o André querendo agradá-la”, falou. “Mas, é aquela questão, entre quatro paredes nós não sabemos o que acontecia”, concluiu.

À contrapartida, segundo relatos ouvidos pela reportagem de O TEMPO, a mulher e o promotor “só eram felizes nas redes sociais” e o relacionamento não ia bem há algum tempo. De acordo com eles, Lorenza nunca alegou sofrer agressões físicas, e queixas eram, com frequência, sobre o cunhado dela, irmão de André de Pinho, que os ameaçava.

Ex-vizinho classifica promotor de Justiça como “bem complicado”

O silêncio impera entre alguns dos mais de dez conhecidos, ex-vizinhos e amigos próximos de André de Pinho e Lorenza procurados pela reportagem de O TEMPO entre a manhã e a noite de segunda-feira (5). A maioria optou por não se pronunciar nesse ponto das investigações, mas, dois deles falaram por alto sobre a relação do promotor com a mulher. “Temos que aguardar o resultado das investigações para que não hajam informações distorcidas. Mas te garanto, era uma família espetacular, amo essa família”, disse uma das pessoas procuradas.

Entretanto, um ex-vizinho de André de Pinho não corroborou o parecer favorável sobre o funcionário do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). “É uma história com cinco crianças envolvidas, é complicado, não sei como essas crianças ficarão diante da vida. Mas, se fôssemos falar sobre ele (André) estando entre o bem e o mal, diria que é a segunda opção, e muito. É bem complicado… É difícil falar porque dali não sai coisa boa”, declarou após citar desvios na conduta profissional do promotor.

Fonte: O Tempo

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