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Mortes ‘com CPF’ aumentam 30% no auge da Covid-19

 Mortes ‘com CPF’ aumentam 30% no auge da Covid-19

Aumento dos óbitos por causas naturais foi de 22% além do esperado no Brasil em 2020 Foto: Michael Dantas / AFP

O total de mortes registradas pelos cartórios de Minas Gerais neste primeiro trimestre é pelo menos 30% superior ao observado nos mesmos meses de 2020 e na média dos cinco anos anteriores, prévios à crise sanitária causada pelo novo coronavírus. O número ajuda a entender o impacto da Covid-19 e derruba argumentos negacionistas segundo os quais as perdas pela doença estariam sendo inventadas ou superdimensionadas.

Segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) analisados por O TEMPO, foram emitidas 41.577 certidões de óbito por todas as causas no Estado de janeiro até segunda-feira (29). São cerca de 9,5 mil a mais em relação ao padrão dos anos anteriores ― a diferença real é maior, pois há uma defasagem referente às últimas duas semanas devido aos prazos legais do processo. Paralelamente, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) havia confirmado 9.127 vítimas da Covid no intervalo correspondente, até o dia 17 de março.

Em todo o país, o aumento nas certidões foi de 27%, ou aproximadamente 84 mil óbitos além do esperado com base nos anos anteriores. A Arpen-Brasil e o Sindicato dos Oficiais de Registro Civil de Minas Gerais (Recivil-MG) ressaltaram que o CPF é exigido obrigatoriamente desde 2017 para a emissão.

Estudo divulgado nesta semana pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) em parceria com a organização internacional Vital Strategies também revelou que o excesso de mortalidade em 2020, considerando-se apenas os óbitos por causas naturais, foi de 22% no Brasil e 17% em Minas. Isso significa 275.587 vítimas no país e 22.513 no Estado acima do previsto por doenças, a partir da série histórica entre 2015 e 2019. A pesquisa leva em conta dados de mortalidade do Ministério da Saúde e fatores estatísticos e demográficos como crescimento e envelhecimento populacional.

Nem todas essas mortes podem ser atribuídas diretamente à Covid, mesmo levando-se em conta uma provável subnotificação nos dados oficiais da pandemia. Chama atenção, porém, a coincidência entre as curvas, com o excesso de mortes subindo no Brasil a partir de abril e em Minas Gerais depois de junho. O maior percentual foi registrado no Amazonas, Estado mais afetado pelo vírus (52%).

 

“Os aumentos das mortes por causas naturais são previstos e podem ser calculados, em decorrência do crescimento e do envelhecimento, entre outros fatores. Mas a expectativa é que a curva seja razoavelmente estável. Um excesso muito grande normalmente só é dado ou por um desastre, como terremotos e enchentes, ou então por epidemias. O excesso no Brasil foi muito acima do esperado”, explica a médica Fátima Marinho, consultora da Vital Strategies e uma das autoras do estudo.

Os pesquisadores ressaltam que o impacto de doenças pandêmicas na mortalidade populacional é direto, com óbitos causados pela própria doença, e indireto, devido aos reflexos na superlotação de hospitais ou interrupção de tratamentos contra outras enfermidades crônicas, por exemplo.

O acompanhamento dos indicadores de excesso de mortalidade é uma estratégia recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar os impactos das epidemias, principalmente onde há subnotificação por falta de testes ou problemas relacionados ao registro dos óbitos.

Fonte: O Tempo

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