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Caso Henry: Polícia descobre conversa de Jairinho com ex no dia da morte de Henry

 Caso Henry: Polícia descobre conversa de Jairinho com ex no dia da morte de Henry

Câmeras de segurança mostraram Jairinho, Monique e Henry no elevador após o menino ser entregue pelo pai, Leniel Borel Imagem: Reprodução/TV Globo

A reportagem transmitida ontem pelo Fantástico, da TV Globo, mostrou que, um dia antes e na madrugada da morte de Henry Borel, no dia 8 de março, no Rio de Janeiro, o padrasto do menino e vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), conversou com uma ex-namorada que ele ainda ajudava financeiramente. Além disso, a emissora revelou que, em 2014, o homem foi denunciado de agressão pela ex-mulher, Ana Carolina Netto, que, na última semana, fez um depoimento escrito à mão no qual afirma que ele “sempre fez o bem”.

Câmeras de segurança mostraram a professora Monique Medeiros, mãe de Henry, segurando o filho no colo, às 19h18, do domingo (7), poucas horas antes da morte do garoto.

Na ocasião, a professora teria ido com ele em uma padaria para comprar lanches na tentativa de acalmá-lo já que o menino chorava e chegou a vomitar após ser entregue à mãe depois de ficar o final de semana na casa do pai, o engenheiro Leniel Borel.

As filmagens ainda mostram Dr. Jairinho com Monique e Henry no elevador do prédio em que eles moravam, às 19h39 da noite. O parlamentar chega a passar a mão na cabeça do menino dentro do elevador.

Horas depois da morte da criança, as câmeras de segurança do prédio registraram Jairinho, às 09h08 da manhã da segunda-feira (8), deixando o apartamento onde Henry morreu. Ele disse na delegacia que saiu do hospital e foi para casa para trocar o chinelo pelo tênis.

Câmeras do prédio em que o menino morreu registram Dr. Jairinho saindo do local novamente Imagem: Reprodução/TV Globo.

Na reportagem da Rede Globo também foi transmitida imagens das câmeras da loja de um shopping que mostraram Henry ao lado do pai e a troca de carinho entre ambos no final de semana antes da morte da criança. “O que eu quero saber é como foi, quem foi e por que fizeram isso com o meu filho”, disse Leniel.

Leniel troca carinho com Henry dentro da loja de um shopping no último fim de semana que passou com o filho Imagem: Reprodução/TV Globo

Novas conversas A polícia descobriu que Jairinho conversou com uma ex-namorada — que não foi identificada — na tarde de domingo (7) e na madrugada da morte de Henry.

Em depoimento, a mulher disse que no dia 7 (domingo), às 15h47, mandou uma mensagem de texto ao vereador: “Estou cansada de você!”. Em resposta, às 01h47, do dia 8 (segunda), o parlamentar respondeu: “Pelo amor de Deus”. Segundo Monique foi aproximadamente nesse horário, às 01h50, que ela e o namorado saíram da sala para assistir televisão no quarto de hóspedes para não interromper o sono de Henry.

A mulher explicou que conversa dela com Jairinho seguiu normalmente sem que o parlamentar falasse da morte do menino e só soube do caso por amigos em comum e pela imprensa. Ela ainda disse que, mesmo separados, ele continua a ajudando financeiramente.

A mulher que enviou a mensagem para Jairinho no dia 7 também afirmou que o seu relacionamento com ele terminou em outubro do ano passado. Apesar disso, ela declarou que ambos se encontraram presencialmente por três vezes em janeiro deste ano e conversavam frequentemente por mensagem ou telefone — até mesmo durante a madrugada

Ela ainda revelou que chegou a ficar com o vereador há cerca de um mês e que ambos já brigaram, com trocas de xingamentos, mas sem agressão física.

Ex-namorada denuncia agressões

Outra ex-namorada de Jairinho, que depôs na última semana e denunciou o vereador por agressões contra ela e a filha, enviou uma mensagem nas redes sociais ao pai do menino após saber da morte da criança.

No depoimento, a ex-namorada do parlamentar, que não foi identificada, chegou a afirmar que Jairinho rasgou a sua roupa na rua quando a viu chegando em casa depois de ela ir a uma balada. Em outro momento, o homem queria conversar com ela e quando a mulher se recusou, o vereador teria a puxado pela grade do portão, fazendo com que ela batesse os seios contra a grade. A ação ocasionou a abertura de alguns pontos nos seis da mulher que havia feito implante de silicone.

Ainda no depoimento, a ex-namorada explicou que Jairinho, quando estava sozinho com a filha, afirmava que a menina “atrapalhava a vida da mãe e a vida da sua mãe ia ser mais fácil sem ela”. Ademais, o vereador dava “cascudos” na cabeça da garota e torcia seus braços e pernas, e chegou a levar a menina para uma piscina e afundava a cabeça dela embaixo d’água.

Leniel comparou as falas da ex-namorada de Jairinho com as reações que Henry demonstrava. “Foi muito parecido [o relato] das reações que a menina tinha com o que o meu filho tinha. De vomitar, de não conseguir olhar o Jairinho, de não querer ficar perto do padrasto, de preferir ficar com os avós do que ficar com a mãe, não querer está próximo dele [Jairinho] de jeito nenhum.”.

Ex-mulher fez boletim contra Jairinho

Segundo a reportagem, Jairinho já foi acusado de agressão por Ana Carolina Ferreira Netto, ex-mulher do vereador, em 2014. O boletim de ocorrência aponta que o parlamentar “sempre foi violento” e que ela sofreu “diversas agressões” de Jairinho que chegou a tentar enforcá-la. Mesmo com o registro da ocorrência, o caso foi arquivado.

Apesar da denúncia em 2014, Ana Carolina enviou uma carta feita a mão para a defesa do parlamentar no qual afirma que o homem “sempre fez o bem”.

Ao UOL, o advogado André França, que defende Monique Medeiros e Jairinho, enviou três depoimentos escritos à mão por duas ex-companheiras do parlamentar — incluindo Ana Carolina — e um dos três filhos do político. De acordo com ele, o conteúdo das cartas foi anexado ao processo.

No documento escrito por Ana Carolina Netto, com quem Jairinho tem dois filhos, ela diz que o parlamentar é um “cara completamente preocupado com tudo. Fazia questão dos domingos terem o nosso programa de família”. Ana Carolina escreveu ainda que para ela “chega ser um absurdo ter que escrever sobre ele [Jairinho], pois sempre fez o bem, com os filhos, funcionários, vizinhos…”.

Novo emprego de Monique

Em conversa com o pai de Henry revelada pela reportagem, em janeiro, Monique, que já havia se mudado no mesmo mês para o condomínio de classe média alta com o parlamentar, falou sobre a mudança de vida.

Defesa nega acusações

De acordo com o advogado André França Barreto, “jamais aconteceu” qualquer agressão do parlamentar contra as ex-mulheres e as crianças.

“Esses episódios [denunciados] teriam acontecido há mais de uma década e sem qualquer testemunha. O que a gente está tentando mostrar é, subjetivamente, que em todas as outras relações, Jairinho não teve qualquer conduta violenta, de agressão”, declarou a defesa.

E finalizou: “De tudo o que tem sido apurado até agora, tudo que a gente teve acesso, (…) família ou conhecidos, da natação, do futebol, a gente categoricamente afirma que existem elementos concretos a demonstrar que o Jairinho e a Monique não têm qualquer condição, probabilidade, possibilidade de terem feito dolosamente ou ainda que culposamente qualquer ato de agressão ao Henry”.

Fonte: UOL

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