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Surpreendente: veja a lista do cálculo de cidades com maiores taxas de mortalidade

 Surpreendente: veja a lista do cálculo de cidades com maiores taxas de mortalidade

A cidade com pior indicador no estado é Aracitaba, na Zona da Mata. Com uma população de 1.905 habitantes, o município havia registrado sete mortes por COVID-19 até a última quinta-feira (18/3) Foto: Prefeitura/Divulgação

Um dos indicadores mais citados no acompanhamento da pandemia de COVID-19 é a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes. A projeção, que reflete o impacto do coronavírus em determinada região, é feita dividindo-se o número de mortes pela quantidade de habitantes de certa localidade e multiplicando o total por 100 mil. Usando a fórmula, o Estado de Minas, em parceria com o estatístico Bráulio Couto, professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), fez uma lista das cidades mineiras com a maior proporção de vidas perdidas projetadas para um universo de 100 mil pessoas.

Das 30 primeiras cidades da lista, sete pertencem ao Vale do Aço, enquanto outras seis ficam no Triângulo Mineiro e seis na Região Leste do estado – o que concentra 63% nessas três regiões. A cidade com pior indicador no estado é Aracitaba, na Zona da Mata. Com uma população de 1.905 habitantes, o município havia registrado sete mortes por COVID-19 até a última quinta-feira (18/3), data em que o levantamento foi feito junto à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Projetado o total para uma população de 100 mil habitantes, chega-se à taxa de 367 mortes/100 mil na cidade, com letalidade de 10%, considerando o número de contaminados que não sobreviveram.

Com uma projeção de 300 mortes por 100 mil, Itapeva, no Sul de Minas, é a segunda da lista. A cidade, até a data em que o levantamento foi feito, registrava 1.044 casos de COVID-19 e 25 vidas perdidas, para um conjunto de 8.013 habitantes. Logo abaixo vem Fernandes Tourinho. Localizada no Leste de Minas, a cidade de 2.701 moradores registrou, na base de dados da Saúde estadual, 68 casos e oito mortes em decorrência do coronavírus, o que projeta uma taxa de 296 mortes por 100 mil.
Na lista também constam Coromandel e Monte Carmelo, no Triângulo Mineiro, que sofreram pressão no sistema de saúde em um passado recente, seja pela falta de leitos ou pela escassez de cilindros de oxigênio. Enquanto a primeira cidade registra 244 mortes por 100 mil habitantes, a segunda, até a data do levantamento, tinha projeção de 236 vidas perdidas por 100 mil habitantes. Os municípios abrigam 28.240 e 45.819 pessoas, respectivamente.

Os maiores no ranking

A primeira grande cidade da lista é Governador Valadares. Com 261.981 habitantes, o município havia registrado, segundo a Saúde estadual, 17.393 casos e 617 vidas perdidas pela COVID-19, o que dá índice de 236 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Um pouco atrás aparece Uberlândia, com 233 mortes por 100 mil. A maior cidade do Triângulo Mineiro e segunda economia de Minas, que tem 622.441 habitantes, estava com 75.158 casos e 1.453 vidas perdidas.
A primeira quinzena deste mês foi a mais letal para a população de Uberlândia. Com 100% de ocupação de leitos para pacientes com coronavírus desde o começo de março, a cidade registrou, somente nos primeiros 10 dias, 328 mortes e mais de 6 mil novos casos da doença. O número de vidas perdidas foi maior que o contabilizado, individualmente, por 10 estados do país e o Distrito Federal no mesmo período. O médico infectologista Rodrigo Molina, professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica o que houve na cidade e na região.
“Um dos problemas foi a não abertura de leitos, contando que a quantidade seria suficiente, porque (o início da pandemia) foi muito controlado no Triângulo. Outro fator que ocorreu foi o afrouxamento das medidas”, afirma o médico. “Os moradores também acreditaram que estava muito tranquilo, então a própria população afrouxou as medidas. Enquanto todo o estado estava fechado, no Triângulo tinha bar, tinha restaurante aberto, havia pessoas se confraternizando, fazendo festas, viajando… E aí juntou com o réveillon e o carnaval, até que chegou a um ponto em que o serviço de saúde não deu conta de receber essa quantidade de pessoas”, explica.
Entre as três maiores cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a capital apresentou a mais baixa taxa, com 121 mortes por 100 mil habitantes. Um pouco acima está Betim, com 125 mortes por 100 mil habitantes. Contagem registrou 130 mortes por 100 mil habitantes.

Onda roxa

Para tentar diminuir a aceleração da COVID-19 em Minas e reduzir a pressão por leitos nas redes pública e privada, o governo estadual adotou a onda roxa do programa Minas Consciente em todo o território desde a última quarta-feira (17/3). A fase é a mais restritiva do plano, determinando toque de recolher das 20h às 5h e permitindo apenas o funcionamento de serviços essenciais.
Rodrigo Molina espera que, com as medidas impostas pelo estado, o número de casos confirmados de COVID-19 apresente queda. No entanto, o infectologista destaca que o controle ideal da doença se dará apenas pela vacinação. “A gente espera que, com essas medidas mais restritivas de agora, tenhamos pelo menos queda no número de novos infectados. O problema é que só teremos mesmo um bom controle com a vacinação, mas ela está muito devagar. Enquanto não atingirmos 50% da população vacinada, vai ser difícil manter um controle”, prevê.

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