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‘Não tem como continuarmos aumentando leitos de UTI’, diz secretário da Saúde de SP

 ‘Não tem como continuarmos aumentando leitos de UTI’, diz secretário da Saúde de SP

Secretário Jean Gorinchteyn comenta recorde no número de mortes em 24h em São Paulo Imagem: Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo

O secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse nesta terça-feira (23) que o governo não tem como ampliar a rede de assistência para casos graves de Covid-19 na velocidade atual de contaminação.

Ele defendeu a necessidade de adesão ao isolamento social para conter a explosão de casos e óbitos da doença.

“Não tem como continuarmos aumentando os leitos de UTI. (…) E nós temos que pedir o apoio da população, porque não adianta eu abrir leito de UTI, não adianta eu ter mais cilindro de oxigênio, se mais e mais pessoas estarão sendo admitidas e de forma grave nas Unidades de Terapia Intensiva”, afirmou em entrevista à GloboNews.

Nesta terça (23), o estado de São Paulo registrou 1.021 novas mortes provocadas pela Covid-19, recorde em 24 horas desde o início da pandemia. O número equivale a três mortes a cada quatro minutos.

O estado agora totaliza 68.623 óbitos causados pelo coronavírus. Os dados foram publicados no site da Secretaria da Saúde nesta manhã. O recorde anterior, registrado na semana passada, era de 679 mortes em um dia.

Na semana passada, o governo de São Paulo anunciou a abertura de um novo hospital de campanha na capital paulista, com 180 leitos, sendo 50 de UTI. A previsão é a de que a unidade seja inaugurada no dia 31 de março.

Até o final do mês, o estado deve ter 12 novos hospitais de campanha para atender pacientes de Covid. Ao todo, serão 16 unidades – quatro já estão em funcionamento.

Leitos do Hospital de Campanha Pedro Dell’Antonia, que atende pacientes com a COVID-19 no município de Santo André, na Grande SP, em março de 2021. — Foto: SUAMY BEYDOUN/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os novos registros de mortes não significam, necessariamente, que elas aconteceram de um dia para o outro, mas que foram computadas no sistema neste período.

As notificações costumam ser menores em finais de semana, feriados e segundas-feiras, por conta do atraso na contabilização.

Gorinchteyn lamentou o novo recorde, mas defendeu que o valor não representa um retrato exato das últimas 24 horas.

“Apesar de chocarem, porque são vidas que se perderam, eles não retratam essas 24 horas. São dados que eram represados, retesados no final de semana e que foram aportados de forma abrupta agora nos dados de terça-feira”, disse o secretário.

Entretanto, ele admitiu que os números devem permanecer altos nos próximos dias.

“Talvez nós tenhamos ainda uma média de outros casos um pouco mais elevados em relação à média da semana passada. Novamente, por esse aporte tardio. Mas nós estamos tendo números muito altos de mortes”.

Na semana passada, o secretário admitiu que o governo projetava chegar a 800 mortes diárias.

Durante a entrevista, ele cobrou o respeito às medidas de isolamento social. “Diminuir a circulação de pessoas é também diminuir com ela a circulação do vírus. (…) Estamos sempre clamando por ajuda, mas ainda vemos as pessoas nas ruas”, disse.

Internados

O número de pacientes internados com Covid-19 subiu 113% no estado de São Paulo em apenas um mês, como mostra o vídeo abaixo.

Nesta segunda (22), 29.039 pessoas ocupavam leitos destinados à doença. No dia 22 de fevereiro, eram 13.606. Os índices desta terça (23) ainda não foram divulgados pela gestão estadual.

Do total pacientes internados atualmente, 16.871 estão em enfermaria e 12.168 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

O número de pessoas em UTI em São Paulo é mais de três vezes maior do que em toda a Argentina, que possui uma população semelhante ao estado com aproximadamente 44 milhões de habitantes.

As taxas de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do estado de São Paulo também já superaram os índices registrados no pico de 2020 da pandemia.

Nesta segunda, a ocupação média chegou a 91,9% no estado de São Paulo, contra 77,2% no momento mais grave da pandemia no ano passado, no final de maio.

O índice foi a 91,6% na Região Metropolitana da capital. Na Grande São Paulo, a taxa se aproxima do recorde registrado em maio de 2020, quando a ocupação chegou a 92,2%.

No dia 10 de março, o governo de São Paulo já havia alertado para a dificuldade de atender a população, uma vez que o ritmo de novas internações é maior do que o de altas.

Mortes à espera de leitos

Mais de 135 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença não resistiram à espera por um leito de UTI e morreram até esta segunda-feira (22) no estado de São Paulo. O levantamento é do G1, da TV Globo e da GloboNews.

Entre as vítimas, há um menino de três anos, uma jovem de 25, sem doenças prévias, no interior do estado, e um rapaz de 22 anos na capital paulista.

As cidades com maior registro de mortes na fila estão na Grande São Paulo, Taboão da Serra e Franco da Rocha, com 15 cada uma.

Os pacientes estavam cadastrados no sistema de regulação de transferências do estado, mas não resistiram até chegar a vaga, de acordo com a Secretaria da Saúde.

Fase emergencial

Desde o dia 15 de março o estado de São Paulo está na fase emergencial, a mais restritiva do plano de flexibilização econômica. A medida foi tomada para tentar conter o avanço do coronavírus no estado.

Entretanto, prefeitos de diversos municípios chegaram a cobrar medidas mais rígidas de isolamento social, como um lockdown, uma vez que o sistema de saúde já sofre com falta de leitos e abastecimento de oxigênio.

Apesar do pleito, a gestão de João Doria (PSDB) defende que as regras mais duras sejam determinadas pelas próprias administrações locais e tem descartado implementar a medida em todo o estado.
Fonte: G1

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