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Minas vai usar vacinas que seriam reservadas para 2ª dose em 1 milhão de pessoas

 Minas vai usar vacinas que seriam reservadas para 2ª dose em 1 milhão de pessoas

Imunização é lenta em Minas Gerais Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Diante do agravamento da pandemia do coronavírus e o colapso de hospitais em todo o país, o Ministério da Saúde (MS) liberou no último domingo (21) o uso das vacinas guardas para a segunda dose em primeiras aplicações – atualmente, os imunizantes CoronaVac e Oxford/Astrazeneca estão em uso no Brasil. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde informou que vai seguir a nova estratégia e aplicar os insumos a partir desta semana.

Segundo a pasta, o estado “segue o preconizado pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 do Programa Nacional de Imunização (PNI)” nacional. Por isso, vai utilizar as vacinas recebidas na oitava remessa, que chegaram no dia 17 de março – 509,8 mil imunizantes – na primeira dose, conforme a diretriz do MS. Os produtos já foram enviadas para as Unidades Regionais de Saúde (URS) e os municípios iniciaram a retirada nesta segunda-feira (22).

De acordo com a secretaria, os imunizantes serão destinados a vacinar 47% dos idosos de 75 a 79 anos no estado, além de 7% dos trabalhadores da saúde que ainda não receberam a dose inicial. Em relação a 9ª remessa de vacinas, que desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte no sábado (20), os insumos também serão aplicados em primeira dose. Ao todo, foram recebidos 542.550 doses, a primeira CoronaVac, e a expectativa é imunizar 490.000 pessoas.

“Diferentemente do que ocorreu nas remessas anteriores, a dose 2 da CoronaVac não ficará armazenada na Unidade Regional de Saúde. Desta vez, os municípios receberão toda a carga para aplicação imediata”, enfatizou a diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Janaína Almeida. Já a logística de distribuição dos imunizantes às prefeituras deve ser divulgado até a próxima quarta-feira.

Belo Horizonte ainda analisa recomendação

A Prefeitura de Belo Horizonte alegou que já recebeu o comunicado, mas ainda analisa a nova estratégia do MS. Até o momento, a capital mineira recebeu 411.920 doses dos imunizantes, destinados aos trabalhadores da saúde, idosos com 77 anos ou mais, além de moradores e profissionais das casas de repouso. Desse total, 350.550 foram distribuídas aos centros de vacinação e 267.920 aplicadas – foram 190.304 na primeira dose e 77.616 na segunda. Atualmente, pouco mais de 7% da população foi imunizada. Para a reserva da segunda dose, seguem armazenados na capital 61.370 vacinas.

Nesta semana, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou a vacinação de pessoas com 76 anos nos 152 centros de saúde de BH, postos extras e também nos três drive-thru. Entre os idosos, 101.522 pessoas receberam a primeira dose. Para a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, o intervalo entre as doses deve ser de 14 a 28 dias, o que garante 100% de eficácia contra casos graves da doença. Já para a vacina de Oxford/Astrazeneca, a segunda dose deve ser aplicada entre quatro e 12 semanas.

Especialista pede atenção com a CoronaVac

Para o infectologista e membro do comitê de enfrentamento à Covid-19 em Belo Horizonte, Carlos Starling, é preciso ter atenção com a vacina produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, por conta do intervalo menor para aplicação da segunda dose. “Caso o Ministério da Saúde garanta que vai enviar essas doses, não há problema em usar a reserva. A questão é ter confiança na pasta, que condutas na produção ou distribuição muito erráticas”, enfatizou.

Apesar da situação, o especialista acredita que o ritmo de entrega de imunizantes deve aumentar nas próximas semanas. “Acredito que daqui para frente essas entregas vão ficar mais regulares e em quantidades maiores, o que é muito bom. Essa é uma das poucas saídas que temos para a pandemia, e enquanto o número não for suficiente, teremos que seguir com restrições, distanciamento social, uso de máscaras”, argumentou.

Conforme Starling, o risco de não garantir a segunda dose está relacionada à eficácia da vacina. “Não se perde a dose que foi dada, ela é válida, entretanto não atinge o percentual de proteção necessário”, finalizou.

Fonte: O Tempo

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