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Fila por UTI de Covid-19 no Grande Rio tem 111 pacientes esperando há mais de 24 horas

 Fila por UTI de Covid-19 no Grande Rio tem 111 pacientes esperando há mais de 24 horas

A fila por um leito de UTI para Covid-19 no Rio e na Baixada Fluminense tinha, na manhã desta quarta-feira (17), 168 pessoas. Destas, 111 aguardavam uma vaga desde a manhã de terça (16), ou mais de 24 horas de espera.

A taxa de ocupação da rede de saúde chegou a 94% no município, e só na capital 102 pessoas esperavam por um leito nesta quarta.

O governo do RJ anunciou na tarde desta quarta-feira que vai estender por mais uma semana as medidas anunciadas na última sexta-feira (12).

Inicialmente, o RJ1 informou que as medidas seriam estendidas por duas semanas.

Castro também prometeu, em conversa com o jornalista Edimilson Ávila, abrir 500 novos leitos de UTI de Covid-19 no estado ainda este mês.

Espera dolorosa

Seu Edmar, de 55 anos, estava internado na UPA estadual de Marechal Hermes, na Zona Norte, desde domingo (14). A família tentava a transferência desde então e diz que possui uma liminar na Justiça autorizando a remoção. Porém, enquanto ela não acontece, seu estado piorava.

“Ele tá com a saturação muito baixa, e também o pulmão muito comprometido. Desde domingo tem o pedido de transferência, ele precisa muito da transferência pra tratar, mas o quadro dele tá ficando cada vez mais grave. Ontem, ele teve que ir para a Sala Vermelha, teve que ser entubado”, contou a filha.

Nesta quarta-feira, Edmar foi transferido, segundo a família, para o Hospital Anchieta, no Caju, na Zona Norte da capital.

Desde o começo da pandemia 34.445 pessoas já morreram de Covid-19 no estado. A média móvel é de 89 mortes por dia, nos últimos sete dias.

A média móvel de mortes é de 21% a menos em relação a duas semanas atrás, o que indicaria uma tendência de queda. Hoje, no país inteiro, apenas Estado do Rio e o Amazonas seguem essa tendência.

Demora no registro

Médico da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, no entanto, alerta: os números podem ser enganosos.

A própria secretaria reconhece que, depois que uma pessoa morre, pode levar mais de cinco semanas para o sistema registrar aquele óbito.

“O que a gente vê hoje em termos de números de óbitos, na verdade, a gente tá avaliando o que tá acontecendo cerca de 30, 40 dias atrás, que é o tempo necessário para o sistema de informação captar esses óbitos e os óbitos serem confirmados”, disse Chieppe.

O médico lembra que o paciente grave que interna hoje pode ficar mais de 20 dias na UTI, e por isso o número de óbitos só aumenta depois de algumas semanas de pressão no sistema hospitalar.

Alerta na Saúde

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que o alerta já está ligado na rede municipal. Ele pontuou que nos últimos dias foi registrado um crescimento de 15% na procura por atendimento na rede de saúde.

“Isso reflete nas internações, e se a gente não cuidar, isso pode virar um aumento de óbitos”, destacou Soranz.

“Por enquanto, a gente está conseguindo atender as pessoas devidamente, o que reduziu a taxa de letalidade em nossos hospitais. Só que, se a doença continuar se disseminando como está, a gente vai ter muita dificuldade de manter isso”, emendou.

O secretário prometeu mais de 130 novos leitos. “São mais 400 profissionais de saúde que devem entrar essa semana e na próxima através dos processos seletivos da Rio Saúde pra que a gente possa abrir mais 85 leitos no município. Também a rede privada está contratando mais, serão mais 50 leitos na rede privada”, enumerou Soranz.

Materia originalmente publicada: G1 

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