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Contagem: ‘Agradeci a Deus 2 vezes: pela vida do motorista e da minha família’

 Contagem: ‘Agradeci a Deus 2 vezes: pela vida do motorista e da minha família’

Por volta das 4h, Nildene Aparecida Teixeira, de 42 anos, dormia com o marido e a filha, de 6 anos, no apartamento do primeiro andar de um prédio em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, quando foram acordados por um estrondo. Um carro tinha acabado de bater no muro e cair dentro do terreno na madrugada desta terça-feira (8). Apesar de ter atingido a parede de um dos quartos, felizmente, ninguém que estava no imóvel ficou ferido.

“Primeiro veio uma freada, que cessou. Em segundos veio uma nova freada com a batida. Acordei com o barulho, abri a janela do quarto, o motorista colocou o rosto para fora do carro e falou: ‘calma, moça, que eu estou preso nas ferragens. Estava saindo fumaça do motor, peguei minha filha e deixei o apartamento por medo de uma explosão”, contou.

O motorista, de 27 anos, estava sozinho no Palio e não soube informar o que teria acontecido. Imagens de câmeras de monitoramento do prédio flagraram o acidente. Veja:

“Os outros moradores retiraram ele das ferragens e, em seguida, os bombeiros chegaram. Ele não falou nada, só reclamava de muito dor e teve alguns ‘apagões’. A gente chamava, batia no rosto dele para voltar, mas ele só falava da dor”, detalhou.

O condutor foi encaminhado ao Hospital Municipal de Contagem, onde segue internado. “Eu agredeci a Deus duas vezes: pela vida do motorista e da minha família. Eu fico emocionada em falar do acidente. A gente não quer que por uma irresponsabilidade aconteça nada. Um menino de 27 anos bater na velocidade que foi, ele estava um pouco fora da realidade. Ele não pensa que é só a vida dele que pode tirar. Ele pode tirar também a vida de muita gente”, desabafou.

Vistoria

Uma equipe da Defesa Civil está no local e, em uma primeira vistoria, informou que a estrutura do prédio não foi comprometida. No entanto, uma nova vistoria detalhada será realizada após a retirada do carro. O terreno tem quatro torres com 16 apartamentos cada.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o motorista, que está internado, não tinha sido apresentado até o início da tarde. “A ocorrência já foi encerrada e encaminhada à delegacia que dará prosseguimento à apuração dos fatos”, informou a nota.

Problema antigo

Segundo moradores do prédio, não é a primeira vez que acontece acidente no cruzamento da rua Joviano Camargos com Joaquim José. Nildene afirma que os moradores já cobraram uma solução da Transcon e da Prefeitura de Contagem, mas não foram atendidos.

“Esse é o terceiro acidente. O último foi em 2014, eu estava de resguardo. Uma L200 bateu no muro. Eu procurei a Transcon e fui informada que não poderia colocar um guard-rail (estrutura metálica) porque poderia tirar a vida do motorista. Eu questionei: e as nossas vidas? Não me responderam nada. Pedi na prefeitura que colocassem quebra-molas. Colocaram, mas nenhum perto do condomínio. As autoridades não deixam a gente fazer nada pelo condomínio. Então o que eu peço, hoje, é que essas autoridades façam alguma coisa”, afirmou.

Por meio de nota, a Prefeitura de Contagem informou que técnicos de engenharia avaliam  a possibilidade de melhoria na sinalização.

Veja o comunicado na íntegra:

“A Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes de Contagem (Transcon) informa que, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), parágrafos do seu artigo 1º, considera como trânsito a utilização das vias também por pessoas para fins de circulação, sendo este um direito de todos. Bem como estabelece, como dever dos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito, assegurar esse direito, sob pena de responsabilidade objetiva pelos “danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito de trânsito seguro”.

Dessa forma, o anexo 1 referente a mesma legislação defini calçada como “parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano (ABNT/NBR 9283/2014), sinalização, vegetação e outros fins”. Bem como o passeio como “parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas”.
Considerando a redação descrita, temos que o CTB, determina que no passeio não tenha interferências, bem como a calçada, somente será admitida interposição de mobiliário urbano sem obstrução ou dificulte à circulação de pedestres.

Neste âmbito temos a Lei de Uso e Ocupação do Solo – Lei 295/2020, que prevê a construção dos passeios em conformidade ao Código de Obras do Município de Contagem, ou seja, além do amparo das Leis Federais temos conforme prevê no Estatuto da Cidade, portanto, não temos como autorizar tais obstruções nas calçadas sugeridas.

A autarquia acrescenta ainda que os técnicos de engenharia realizaram vistoria no local apontado e estão avaliando a possibilidade de melhoria na sinalização, bem como a implantação de dispositivos que reduzam a velocidade trafegada no trecho”.

Fonte: O Tempo

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