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Disputa por cargo de vereador bate recorde em Minas Gerais

 Disputa por cargo de vereador bate recorde em Minas Gerais

Nunca foi tão difícil se eleger para o cargo de vereador em Minas Gerais. Segundo análise realizada por O Tempo com base nos dados da Justiça Eleitoral, o número de postulantes e a relação candidato/vaga em 2020 estabelecem novos recordes no Estado.

Ao todo, 74.404 interessados em um mandato se registraram para a disputa neste ano, um aumento de 1,12% em comparação com as últimas eleições municipais (73.581). Quanto à concorrência, a média subiu na mesma proporção, de 8,68 para 8,77 candidatos por cadeira.

Apesar dos recordes, o acréscimo pode ser considerado baixo, pois havia expectativa em relação a uma maior oferta de chapas devido ao fim das coligações proporcionais. De certa forma, esses números significam um alívio para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG).

“Fazendo uma comparação com as eleições de 2016, nós tivemos na verdade um incremento pequeno nas candidaturas. Portanto, não haveremos de ter nenhum complicador para o processamento e o julgamento dos registros”, garantiu o juiz auxiliar da presidência do TRE-MG, Joemilson Donizetti Lopes, durante a live  O TEMPO POLÍTICA.

A Justiça Eleitoral ainda vai analisar os registros e pode indeferir parte das candidaturas. Os recordes, contudo, também consideram os totais de pedidos apresentados nos anos anteriores.

Disputa aquecida nos grandes polos

A quantidade de postulantes às Casas Legislativas será a maior da história em 252 cidades mineiras, incluindo todos os grandes polos do Estado. Belo Horizonte (1.540), Uberlândia (859), Contagem (715), Governador Valadares (586) e Betim (582) lideram a lista.

Os cargos na Câmara Municipal da capital são os mais cobiçados, com 37,6 concorrentes por cadeira, à frente de Contagem (34), Ribeirão das Neves (32,1), Uberlândia (31,8) e Juiz de Fora (30,6).

Em termos proporcionais, a quantidade de candidatos cresceu 50% ou mais em 37 municípios mineiros na comparação com 2016. Destaque para Campos Gerais (Sul), Carmésia e São João Evangelista (Rio Doce), onde os registros mais do que duplicaram.

Em Belo Horizonte, esse incremento foi de 6% em relação ao pleito anterior. No ano 2000, a capital havia contabilizado 815 concorrentes para 37 cargos (22 por vaga). A concorrência, portanto, quase dobrou em duas décadas.

Menos de dois candidatos por vaga

Na contramão da disputa sem precedentes na média do Estado, 94 Câmaras de Minas Gerais terão neste ano a eleição menos concorrida da história. Uma delas é a de Grupiara (Triângulo Mineiro), onde apenas 15 candidatos duelam pelas nove cadeiras disponíveis. Três dos atuais vereadores, inclusive, não tentarão um novo mandato.

“Dessa vez realmente foi pouco demais. Normalmente é mais concorrido, não sei se foi a pandemia… Está tudo calmo, bem diferente, porque costuma ser agitado. Minha impressão é que o pessoal estava mais desanimado pelo momento, ou devido à falta de dinheiro mesmo [para a campanha], por causa da crise”, comenta Cilesia Gomes (PSDB), que vai abdicar de um novo mandato alegando questões familiares.

Apesar da conta mais favorável na calculadora, o presidente do Legislativo municipal de Grupiara, Rogério Machado (PSDB), acredita que será mais difícil manter o cargo neste ano. “Aumentou o número de eleitores e diminuiu o de candidatos. Quer dizer que vai precisar de mais votos para ganhar. É uma campanha difícil. Cada voto vale ouro”, avalia o postulante à reeleição.

Na comparação com 2016, houve redução no número de candidatos em 424 municípios mineiros. Todos eles de pequeno porte, o que pode indicar uma influência da crise econômica nessas localidades. A queda ultrapassou os 50% no total de concorrentes em Antônio Dias (Rio Doce), Arcos (Oeste), Cruzeiro da Fortaleza (Triângulo), São Sebastião da Bela Vista (Sul), Dores do Turvo e Piedade de Ponte Nova (Zona da Mata).

Outros detalhes da disputa

Os partidos com mais candidatos a vereador em Minas Gerais neste ano são MDB (5.523), PSD (5.081), DEM (4.892), PSDB (4.774) e Avante (4.223).

Os homens representam a maioria entre os postulantes ao cargo legislativo. São 48.922 concorrentes do gênero masculino (66%) e 25.482 do feminino (34%). Vinte candidato(a)s travestis e transexuais optaram pelo nome social na urna eletrônica nestas que são as primeiras eleições municipais com a permissão de uso da identificação alternativa.

Os candidatos declarados brancos são 45,5%, seguidos pelos que se identificaram como pardos (38,7%), pretos (13,2%), amarelos (0,35%) e indígenas (0,07%).

Fonte: O Tempo

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